quarta-feira, 16 de abril de 2014

AVES URBANAS ; Quiri-quiri Falco sparverius

A arte de passarinhar precisa de ambiente propício, lugar  onde ocorrem muitas aves, isso por que os bichos vão onde podem encontrar alimentos. Assim, nos ambientes propícios, encontramos muitas aves  como nas matas e campos com arvores e arbustos.

Mas nas cidades também é possível observar muitas aves! Hoje estava na varanda procurando fotografar rolinhas e asas brancas (Columba picazzuro) quando um quiri-quiri passou voando na minha frente! audácia!, e ele voltou e então , não teve  perdão:


Trata-se de um macho, pelo colorido da plumagem e relembrando tratar-se de um pequeno predador mas muito eficiente, principalmente ao abater pequenas aves.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Aramides mangle, uma espécie muito desconfiada!!

A   Saracura do mangue Aramides mangle, é uma espécie de saracura que habita preferencialmente os manguezais. Na região sudeste do Brasil ela não é rara. Porém, de forma nenhuma podemos considera-la como espécie comum! Isso se deve à extrema timidez e desconfiança dessa ave. Conseguir tira-la de dentro do manguezal é um feito que não é fácil de se conseguir. Nossa pretensão é relatar a proeza de ter conseguido fotografa-la no manguezal existente nos fundos do campus de Goiabeiras da UFES.


Vislumbrar a ave mariscando na lama do mangue já é uma vitória e agradeço ao amigo Mario Candeias a informação de onde poderia encontra-la. Mesmo tocando o play-back ela não atende imediatamente. Aliás devo registrar que ainda não ouví o canto dessa saracura nesse lugar. Ressaltamos também já ter registrado nada menos que três espécies de saracuras nesse lugar: a saracura matraca, a saracura dos três potes e agora essa saracura do mangue:



Pudemos visualizar  um casal que estava forrageando no mangue, junto aos alagados e brejos. Pudemos ver certo  momento a ave capturando com o bico alguns caranguejinhos do lugar.


Os hábitos dessa saracura acaba contribuindo para o mistério em torno de seu nome e dos registros que são feitos. Consideramos essa ave como um dos registros mais interessantes feitos nos últimos tempos.

Um abraço a todos que nos visitam, Jsl.

terça-feira, 18 de março de 2014

REVIEW : SIGMA APO DG 300mm f/2.8 versus CANON EF 300mm f/2.8 IS II USM

Tempos atrás fiz  uma revisão aqui sobre a Cânon 300mm EF 70-300mm L, e relatei minhas impressões sobre essa lente excelente. Temas de revisões de câmeras e lentes são assuntos que atraem fotógrafos devido a sua peculiaridades e também porque todos estamos sempre envolvidos com esses equipamentos. Evidentemente não tenho condições de discutir detalhes técnicos dessas duas lentes! O que pretendo aqui é relatar minha experiência de usuário e leigo sobre essas duas super teles de abertura 2.8. O tema é interessante porquanto muitos fotógrafos desejam fazer essa migração. Desejam comprar uma lente de abertura 2.8 e, normalmente é um passo difícil de ser dado devido ao valor elevado dessas lentes. Para quem é usuário da Cânon ou da Nikon a opção mais barata e natural é a Sigma 300mm f/2.8



Comparado com a lente da Cânon essa Sigma possuiu um preço bem mais barato. Cerca de metade do preço da Cânon 300mm f/2.8 IS e um terço da nova IS II. Como disse, vou relatar aqui minhas impressões sobre as duas, uma vez que há cerca de 30 dias virei usuário de uma Cânon 300 f/2.8 IS II:



1- Aspecto externo: é difícil dizer quem é o vencedor aqui. As duas lentes são muito bem construídas e bonitas. nesse  item  eu  daria nota 10 para as duas.
2- Qualidade de construção: nesse item  a Cânon ganha. Apresenta-se mais compacta e solida, tem-se a impressão de ser blindada contra intempéries. O fato de apresentar certa proteção contra umidade e poeira também conta em favor da Cânon. Nota 10 para a Cânon e 8,00 para a Sigma.
3- Funcionalidade: Minha impressão foi novamente a favor da Cânon. Explico: a Cânon pesa 2,35 kg e a Sigma 2,4 kg, praticamente a mesma coisa. Porém, no manuseio geral como birder, isto é como observador de aves que precisa percorrer longos caminhos eu senti a Cânon menos pesada que a Sigma! Isso por que a Cânon distribui melhor seu peso. A impressão que se tem é que a Cânon é mais leve apesar de ser quase o mesmo peso. Outra coisa muito importante: a Cânon tem um sofisticado sistema de IS, estabilização da imagem o que falta à Sigma. Resulta daí que algumas vezes vc. tem de carregar um incomodo monope para não gerar imagens tremidas. Outro detalhe a favor da Cânon é que vem com uma maleta de armazenagem que é bonita e sofisticada. Fica parecendo mesmo uma maleta de viagem! A Sigma vem acondicionada em uma bolsa de neoprene que não tem o mesmo impacto.
4- Usabilidade da lente: Pelo fato de ter Estabilização da imagem a Cânon proporciona mais confiabilidade ao fotografo. Porém, mesmo em baixas velocidades não percebi a Sigma como uma lente fraca. Ela corresponde muito bem gerando imagens maravilhosas. Abaixo uma imagem feita com a Sigma 300mm 2.8:



Portanto, em termos de qualidade ótica a Sigma não fica atrás da Cânon.:





A Cânon também produz imagens excelentes:







Finalmente tem a questão do preço: Para quem não se liga em fidelidade de marca, ou seja, quem não se importa é ter uma Lente L Cânon acoplada em sua câmera também Cânon, a Sigma é de fato uma ótima opção bem  mais barata! Evidentemente o usuário vai perder alguns sinos e assobios. Como o maior conforto que se observa com a Cânon, seu manuseio é mais fácil e seu peso mais amigável, sua durabilidade maior pois a lente é muito mais protegida que a Sigma. Especulamos se essa peso aparente da Sigma ser maior que a Cânon não seria devido a seu aspecto ultra compacto? Nesse caso o peso ficaria mais concentrado, dando a sensação de ser bem maior. Então, em termos de qualidade de imagem não vimos diferença entre as lentes, ressaltando porém que ficamos com a Sigma mais de um ano de uso e temos apenas um mês com a Cânon. Pode ser que daqui há um anos nossa preferência pela Cânon seja bem mais acentuada! Então,se o preço for fator imprescindível é evidente que a Sigma vai conquistar muitos adeptos. Mas ressaltamos a pequena vantagem da Cânon quanto ao manuseio e qualidade de construção. Se essas vantagens justificam a enorme diferença de preços aí é questão que somente o usuário poderá responder.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Falconiformes de GURIRI

O balneário de Guriri situa-se no município de São Mateus no norte do ES. Trata-se de área muito procurada por banhistas no verão, quando recebe muitos visitantes do norte do ES e também de outros estados e mesmo do exterior. É uma região de baixadas litorâneas  ocupadas originalmente pelas matas baixas da restinga. Aves abundantes nessas matas  são  o Guaxe Cacicus haemorrhous com vários ninhos pendurados nas árvores, tanto na beira dos rios como em outros locais, até mesmo na beira da estrada:



Outra ave bem típica do lugar e que desta vez não fotografamos, foi o Aracuã-de-barriga branca Ortalis araucuan. É abundante e de longe gravei  sua voz que é muito melodiosa:

http://www.wikiaves.com.br/1238922&p=1&tm=s&t=u&u=2183

Mas o destaque foram os registros de Falconiformes que pude ver na estrada de Barra Nova e na estrada para o lugar chamado de Meleira.

Na estrada de Barra Nova  pude ver e registrar:


Gaviãozinho Gampsonyx swainsonii, belíssimo e bravo gavião pequeno ( tem só 22 cm de comprimento, o comprimento de um sabiá). Pude ver dois indivíduos fazendo o que mais gostam: ficar de vigília junto aos fios telefônicos dos postes à espreita de alguma presa. Outra foto:


Ainda na estrada pude ver, de dentro do carro, um vulto azulado num coqueiro Cocos nucífera ao longe. Esse coqueiro estava já ma mata ciliar do Rio Mariricu que corta o lugar e desagua em Barra Nova. Coloquei a lente 300mm com um TC  2x0 e vi o Gavião pernilongo Geranospiza caerulescens:


A ave estava descansando e podia ver-se calmamente as penas do peito arrepiadas pela  vento!

Continuando a viagem ( são 26 km de Barra Nova a Guriri, em estrada de chão) pude ver  outro Falconiforme, desta vez  o  Quiri-quiri, ou falcão quiriri, na verdade o Falco sparverius que tinha acabado de capturar um grilo e preparava-se para a refeição:



Posteriormente, chegando no local chamado de Ponte interditada, onde a Petrobras possui várias sondas e poços pequenos extraindo petróleo, pude ver o Gavião caramujeiro em uma pequena lagoa:


Observem  que ele, Rostrhamus sociabilis, estava pousando em uma estaca tendo um grande caramujo entre as garras. A ave pousa e fica "descascando" o caramujo até poder come-lo quando aparece a carne.

Muito obrigado a todos visitantes  que nos prestigiam!

IXOBRYCHUS EXILIS O socoí-vermelho!

Recentemente na Lagoa de Juara tivemos a alegria de conseguir fotografar uma ave desconfiada e arisca. Pouquíssimos registros dessa ave haviam sido feitos recentemente tanto para o ES como para o Brasil.



Esse socoí é uma ave de porte pequeno que vive muito escondido no meio dos taboais. Nessa lagoa de Juara esses taboais (Tipha dominguensis) são muito extensos e ela já tinha sido fotografada em outro local da lagoa no mês de novembro de 2013. Devido a isso fizemos várias excursões ao lugar mas não obtivemos exito em sua localização. Agora recentemente, no dia 01.02.2014, de manhã, depois de reproduzir seu canto no gravador ela apareceu sorrateiramente! Ficou a meia altura no taboal alto, meio que escondida mas curiosa com o canto igual ao seu. Depois levantou voo um pouquinho apenas acima das taboais e fugiu vocalizando um canto de alarme. Por essa razão creio que é ave que vive muito escondida nos taboais e somente em ocasiões raras e especiais ela sai do seu esconderijo. Então, talvez nem seja muito rara, apenas é mal conhecida devido a seus hábitos.

ANDORINHA DO BARRANCO Riparia riparia no ES.

Recentemente em viagem ao município de São Mateus, precisamente na localidade de Barra  Nova pude observar uma grande quantidade de andorinhas de bando  Hirundo rustica:



A temperatura estava alta em janeiro e por essa razão podemos supor que essa andorinha aprecia um verão bem quente mesmo! Tendo saído do hemisfério norte, certamente do Canadá e Estados Unidos, ela estava em grande número nas proximidades de Guriri. Nos três locais que fui observar aves  lá estavam elas em grande número.

A surpresa  foi encontrar em uma dessas localidades, na estrada de Barra Nova, algumas andorinhas do barranco Riparia riparia no meio das andorinhas de bando.:



Na verdade, nesse dia, vi apenas  duas Riparias  no meio das Hirundas mas foi muito importante e com emoção pois trata-se do primeiro registro documentado dessa andorinha para o Espirito Santo. Sua história natural é muito interessante. E o nome cientifico latino Riparia vem da suposta relação dessa andorinha com barrancos. Migra da América do Norte procurando certas regiões no Brasil, geralmente campestres e em varjões. Pega "carona" nas migrações de Hirunda rustica sempre aparecendo algumas no meio dos bandos da Hirunda. E especie semi-cosmopolita, existindo Também no velho mundo.

domingo, 12 de janeiro de 2014

SANÃS DOS BREJÕES DO CONTORNO DE VITÓRIA

A região de brejos existente no contorno da capital do Esp.Santo, é habitada por muitas espécies de aves interessantes. Trata-se de região de baixada litorânea, ao nível do mar e até mesmo abaixo dele em alguns pontos. No mês de dezembro próximo passado o Estado sofreu com muita chuva, o índice pluviométrico em alguns locais chegou a 700mm de chuvas em apenas 30 dias! Como resultado disso, essa região já alagada ficou mais úmida ainda. Estradas foram destruídas e o estrago da enchente ainda não foi resolvido totalmente. Agora a água começou a baixar e pudemos voltar ao local para uma passarinhada. O destaque foram as sanãs, conhecidas  como saracuras-sanãs! Essas aves são comuns no local. Hoje pudemos registrar e fotografar duas espécies:


Essa é a sanã-parda, Laterallus melanophaius  é bem comum nesses alagados! Ouvimos cantar em vários locais. Foi atraída facilmente no play-back. O curioso é seu comportamento, parecendo até mesmo  um  pinto do mato. Essa foto acima, no momento ela estava procurando alimento nas folhas da taboa Tipha dominguensis.



Essa pequena saracura é muito versátil, procurando alimento nos emaranhados dos brejos e como visto acima, até mesmo nas folhas das taboas.

Outra saracura que vimos ser comum no local mas muito difícil de ser fotografada é a sanã-carijó Porzana albicollis. Trata-se de saracura que possui um belo e alto canto. Mas, tem uma particularidade: é dificílima de ser fotografada. Já tinha tentado várias vezes e somente consegui desta vez  por questão de sorte. Primeiro tentei fazer a foto dela  calma dentro do emaranhado brejoso:



Até que a foto não ficou ruim, mas a ave não saía de se seu abrigo de forma alguma. Até apareceram outras se aproximando de onde estávamos, o que ocasionou algumas brigas. Mas, de tanto insistir, conseguimos captura-la no limpo com uma sequência de fotos com sorte:

Ela apareceu desconfiadissima, no aberto do brejão.


Finalmente conseguimos uma foto boa dessa saracura super desconfiada!

Ao final, próximo à estrada do contorno ainda tivemos sorte de conseguir outro  lifer, a noivinha Xolmis  irupero:



Não é uma espécie comum aqui em nossa região! Raramente vista e não é qualquer habitat em que é vista. Geralmente são área abertas com árvores esparsas, em fazendas, que possuem árvores e postes de energia ou telefone. E além disso é muito espantada! O simples gesto de se sair de dentro do carro já é motivo para a ave fugir voando para longe.

Com a inundação da região, vários animais ficaram mais à vontade no lugar conforme pode ser visto com essa capivara, que atravessou a estrada na nossa frente:



Terminamos esse relato agradecendo as pessoas que nos visitam!

José Silvério.