quinta-feira, 30 de abril de 2015

CORUJA DO MATO Strix virgata

A CORUJA DO MATO - Strix virgata:
Visitando a mata que circunda o maciço do inselberg dos Três Pontões em Afonso Claudio neste estado do ES, em meados de 2014, tivemos a felicidade de ouvir cantando na mata por volta das 19-20 hs, timidamente, uma coruja que supomos ser a coruja do mato, Strix virgata! Posteriormente, em março deste ano voltamos ao local e dessa vez confirmamos ser mesmo a virgata, mas, entretanto, não conseguimos nenhuma foto, apenas conseguimos gravar sua voz de chamada. "Corujadas" são um capitulo à parte nas atividades de observação de aves! Mistério e surpresa são componentes importantes desse tipo de birding! Aliado a isso, temos vários fatores que tornam essa atividade muito fascinante: que aves noturnas encontraremos? A simples expressão "ave noturna" já nos atiça a curiosidade pois imagina-se seres ocultos durante o dia, avessos à luz! Mas, voltando à pergunta: que aves encontraremos? Bacuraus e sua grande variedade de cantos e chamados?  insuspeitos corujões que ninguém sabe onde se escondem? a famosa suindara com seu grito fúnebre e sombrio? "Rasga mortalha"! o "Mãe-da-lua" e seu canto melancólico ou fantasmagórico? evocando um lamento sofrido ou, conforme a espécie, um som aterrador oriundo de um imaginário "monstro noturno"? As sombras da noite ajudam muito nossa mente a imaginar esses mistérios! e, por vezes o aparecimento da lua em noites propícias, tudo isso contribui para se criar expectativas misteriosas! Além dessas premissas, temos de ficar mais atentos que durante o dia! é no crepúsculo e noite que muitos animais saem de suas tocas para caçar, entre eles, cobras venenosas! E tem também as questões técnicas e de logistica: as lanternas funcionarão? e o flash está bem regulado e carregado? Nessas horas é que notamos o quanto os equipamentos de ponta e caros como as lentes "claras" são importantes!
Pois bem, agora em abril voltamos aos três pontões e com a ajuda inestimável do Itamar Tesch, finalmente conseguimos localizar e finalmente visualizar essa discreta coruja dentro da mata! Foi uma corujada perfeita, que começou com dificuldades tipicas dessas empreitadas. Primeiro a coruja atendeu o chamado da gravação e pousou em uma árvore emaranhada acima de nossas cabeças mas não conseguimos visualiza-la. Após várias tentativas, finalmente, Itamar apontou: "aqui" e lá estava a misteriosa! Pudemos então fotografa-la!

Trata-se de uma coruja que habita várias paisagens vegetais, preferindo florestas mas já foi registrada até mesmo dentro de cidades. É grande e eficiente predador e seu canto é um chamado melancólico. 



Com o aparecimento do casal, pude gravar o canto dos dois. O audio foi depositado no arquivo sonoro do site Wiki Aves:

http://www.wikiaves.com.br/1669548&p=1&tm=s&t=u&u=2183

um abraço aos amig@s passarinheiros!

domingo, 26 de abril de 2015

O GAVIÃO PATO Spizaetus melanoleucus

O Gavião-Pato, é uma espécie de Accipitrideo raro e incomum. Porém, essa raridade não se compara com outros falconiformes brasileiros como, p.ex., a Harpia, o Gavião de Penacho S.ornatus ou o Gavião de Penacho Morphnus. Em algumas ocasiões já o registramos por um bom tempo, por várias vezes  o vimos habitando a região de Chaves. Nessas ocasiões ficávamos impressionados com o comportamento de caça desse gavião! Simplesmente espetacular. Consistia em ir subindo em círculos, aproveitando as correntes térmicas e quando chegava bem alto deixava-se cair a pique sobre as copas das árvores em um ato realmente emocionante e espetaculoso!



Imagem obtida em: http://www.avescatarinenses.com.br/animais/1-aves/146-gavião-pato

No sexta feira dia 17 de abril de 2015, estando visitando a localidade de Sobreiro, pudemos observar um individuo do Gavião Pato planando aproveitando as térmicas e voando horizontalmente. Seu voo é muito majestoso e interessante.

O gavião planava horizontalmente sempre prestando atenção no solo, isto é, na verdade caçava olhando o que se movia  lá embaixo! Sobreiro é uma região de poucas matas, essas ficam quase sempre no topo dos morros e são capoeirões ou matas secundárias em estágios variados de recuperação. Esse fato é um importante dado a se considerar sobre a biologia desse predador. É citado muitas vezes como sendo ave do interior da floresta, o que não é verdade! Esse gavião parece se adaptar bem e viver em um ambiente misto, intercalado entre mata e campo. A aerodinâmica de seu corpo é toda voltada para planar e caçar em ambientes abertos. Observem essas fotos e vejam a ponta das primárias sempre mantidas abertas, num claro sinal de que se trata de um grande planador como os urubus! Se fosse um caçador florestal como os outros Spizaetus, o formato de seu corpo seria outro. Na verdade é um predador da borda da mata!. Tal fato já havia sido notado  por E. Willis, que relatou o procedimento de caça desse gavião no brilhante artigo: https://sora.unm.edu/sites/default/files/journals/wilson/v100n04/p0672-p0675.pdf



Predador ativo sempre chama muito a atenção das possíveis presas! Esse não poderia passar despercebido e nesse dia o  S.melanoleucos foi perseguido por um casal do falcão de coleira F. femoralis que importunaram bastante o grande predador.:


fotos gentilmente cedidas pela Birder Aninha Delboni, minha esposa, mostrando um dos momentos em que o Falcão atacava o Gavião-Pato,

Esse registro foi muito comemorado  por nós, pois é sabido que aves de rapina são sempre perseguidas e ameaçadas por fazendeiros. Esse gavião é um dos mais bravos habitantes do Brasil e sua beleza e comportamento são impressionantes! Fica demonstrado que apesar de considerado raro, ele é com certeza menos raro do que se imagina! Não é, de fato, ave comum, mas acreditamos que ainda não está ameaçado e que sua raridade é algo natural, ligado à sua escassez e ao fato de ocupar o topo da cadeia alimentar.

Um abração aos nossos amig@s apreciadores das aves!

sábado, 11 de abril de 2015

HARPIA É ASSASSINADA NA RES SOORETAMA- ES.

QUANDO é que o Brasil vai tomar jeito? Não adianta aprovar leis e até mesmo colocar na própria Constituição Federal que o meio ambiente é prioridade se as autoridades encarregadas de cumprir a lei não se esforçarem para, pelo menos, evitar a extinção de nossos bichos maiores e ameaçados de extinção. A Harpia, conhecida como Gavião Real, é um animal tão fantastico e imponente, que os brasileiros talvez nem tenham idéia de sua importância na natureza. Nesse panorama todo, a noticia de que uma Harpia foi encontrada atropelada na BR 101 que corta a Res. Sooretama no norte do Esp. Santo é desalentadora! Mas o pior ainda esta por vir: existem indicios que essa Harpia, na verdade não foi atropelada, foi é assassinada mesmo a tiros. O laudo oficial sobre a morte da Harpia está por sair. Para os moradores do Espirito Santo, é importante responder a uma pergunta: quantas harpias nós devemos ter em todo Espirito Santo? Ninguem tem condições de saber, mas, provavelmente não tem mais que umas quatro no Estado todo! Matando uma, olhem só o estrago! Funcionários quando são ruins arriscam-se a ser demitidos, o que, infelizmente, não temos condições de fazer com nossos funcionários encarregados de proteger nossos bichos. O Brasil está falhando no serviço de proteger seus animais, abaixo o link da reportagem da TV Gazeta sobre a Harpia encontrada ferida e que depois não resistiu aos ferimentos vindo a morrer: 


domingo, 22 de março de 2015

Touit melanonotus

Apuim de costas pretas, papagainho,etc. São vários os nomes ´populares para designar esse belíssimo psitacídeo nativo da mata atlântica. Considerado como raro e ameaçado de extinção, ele é uma ave habitante de matas encontrado na encosta e também nas matas de baixada. Nessas matas de baixada, merecem destaque as matas de restinga onde encontramos a espécie muito bem adaptada. O objetivo dessas notas é relatar os recentes registros desse papagainho no Parque Estadual Paulo Cesar Vinha em Guarapari.


Esse belíssimo psitacídeo, ameaçado de extinção, talvez não esteja tão ameaçado, e mais provavelmente, seja apenas mal conhecido! No parque em questão, ouvimos e vimos frequentemente os bandos de mais ou menos  20 indivíduos com sua vocalização característica se deslocando de um local a outro. Até que mais recentemente conseguimos visualizar um bando grande, de número superior a 50 indivíduos se deslocando à procura da fruteira nativa conhecida como Clusia hilariana.




A Clusia é uma árvore que chega, no parque, até há uns 13 mts. de altura, possui essas folhas grossas talvez como adaptação do clima da restinga. Sua infrutescência é essa pequena baga ovoide, que fica amarelada quando madura. Apuins procuram essas árvores avidamente, em viagens longas. Quando bastante madura, a fruta se abre mostrando seu interior repleto de pequenas sementes envoltas em um material gelatinoso de cor vermelha. Interessante é que os Apuins não esperam a fruta se abrir espontaneamente. Eles se encarregam de abrir a fruta para comer esse material gelatinoso bem como as sementes. Essa delicia para os papagainhos, entretanto, tem para nós um sabor bem azedo, não sendo fácil adivinhar o porque dessa predileção das aves.


A ave abre a fruta e se delicia com seu interior vermelho e gelatinoso!

Essa ave é considerada como em perigo e ameaçada. Felizmente parece ser rara em cativeiro, o que demonstra que mesmo os traficantes de aves tem dificuldades em captura-la. Outro detalhe é que cria-la em cativeiro ainda não foi possível, uma das razões é a dificuldade de se alimentar os filhotes "na mão". Não se sabe o que esses filhotes aceitariam como comida!


Enquanto não se consegue maiores informações sobre seus hábitos, bem como sua biologia reprodutiva, é importante que os observadores de aves limitem-se apenas a informações ligadas a sua alimentação e  flutuação das populações, não informando de forma nenhuma dados sobre nidificação e seus locais e ninhos. Isso para que esse belissimo psitacida nacional endemico não venha a ser capturado para o comércio  ilegal, aumentando ainda mais as ameaças que já enfrenta.



Agradecemos as visitas dos amantes das aves e vamos continuar pesquisando sobre essas aves tão maravilhosas e interessantes, habitantes desse planeta ornitológico chamado Brasil!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

o PEIXE ESPADA Trichiurus lepturus

Segundo Alexandre Carvalho Filho em sua magnifica obra  "Peixes da costa brasileira", o espada, é um peixe costeiro, que vivem desde as águas de beira mar até os 50 metros de profundidade, da superficie ao fundo, de águas abertas a baías, mangues e estuários. São muito comuns, formam cardumes e são extremamente vorazes, comendo peixes, moluscos, crustáceos, etc. Possuem máxilas formidáveis e seus grandes cardumes atacam tudo o que vêem, chegando a saltar fora dágua na perseguição a suas presas. Na primavera e verão os cardumes são ainda maiores, chegando a penetrar estuários e mangues para a reprodução.

Espadas maiores chegam a 2 metros de comprimento pesando 4 kg; Ainda não vimos peixes desse tamanho mas já capturamos com equipamento de bait peixes com mais de um metro de comprimento pesando 1 kg. O aspecto alongado do espada faz com que mesmo exemplares menores proporcionem boa briga pois sua longa cauda faz um trabalho de ancora dificultando tira-lo dágua!

Para o pescador com equipamento de fly, mesmo os menores exemplares são capazes de vergar as canas números 5 ou 7! O Espada é um peixe que não nega sua natureza predadora quando está no lugar. Ao contrário de peixes considerados nobres como o robalo, que são cheios de sutilezas para atacar as iscas, o espada se está no lugar, ataca vorazmente as moscas e chega a destruí-las logo na primeira "batida".

Neste mês de fevereiro, de muito calor, os espadas continuaram nas águas da baía de Vitória. O pescador de água salgada sabe que o mar, periodicamente, proporciona abundância de algumas espécies que depois somem temporariamente da costa. Em nossas pescarias já presenciamos grandes cardumes de enchovinhas, de galos e agora temos esse grande cardume de espadas rondando nossos pieres. Nessas ocasiões, quem se utiliza da pesca com iscas artificiais tem a oportunidade de fazer muitas capturas. Mas, lembramos que esses ciclos de abundância, que os pescadores confundem com um "boom" desses peixes na verdade são apenas o resultado da procriação em grande escala desses peixes nas águas rasas, nas praias e estuários! prova disso é que os exemplares são todos de pequeno tamanho, próprios da fase juvenil. Deveria haver consciência quanto a esse fato, com a liberação dos exemplares menores!



A abundãncia do espada em Vitória: um biguá captura um exemplar!

A maioria dos exemplares que capturamos com fly, nesses dias, foram filhotes entre 50 a 80 cms. de comprimento. Abaixo um dos maiores, capturados com o equipamento #5:



E a menor espadinha do verão, chegando a medir apenas 2 palmos, cerca de 45 a 48 cms:



Lembramos que toda essa esportividade teria de ser e foi premiada com a soltura de todos os peixes! Apesar de ser um peixe brigador e que mesmo fora dágua continua a "morder" feito uma máquina, todos foram soltos e conseguiram sobreviver devido à rapidez de sua soltura em razão dos anzóis das moscas estarem com as farpas amassadas.

Para a pesca desse peixe  com o fly, exemplares maiores precisam ser capturados com equipamentos mais pesados, do número 7 para cima, mas esses pequenos exemplares podem ser pescados com equipos leves tipo # 5 ou #6. Linhas WF flutuantes com lider de monofilamento de nylon, de 2,7 mts. O ideal é deixar o lider afundar e só depois iniciar o recolhimento dando pequenos toques  simulando um peixe em fuga!  Um estreamer de cor branca com bastante brilho simulando uma manjubinha pode ser fatal!

Uma mosca que fêz sucesso, atada com penas de marabou cor verde e muito brilho prateado:




Um dos locais da pescaria, pier de pedras a uma distãncia de cerca de 200 metros da praia:



A espada não resistiu ao estreamer, sendo içada para depois retornar às águas:


Muito obrigado a tod@s que nos visitam e até a próxima postagem!  ( que deverá ser de aves, rs, já já retornamos!)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

AMAZÔNIA EM LINHARES- ES.

AMAZÔNIA EM LINHARES=ES

A mata atlântica da baixada ao norte do Rio Doce, que se prolonga até o sul da Bahia sempre encantou os pesquisadores. A semelhança com a floresta amazônica é grande, havendo várias espécies de árvores que são comuns às duas florestas. De fato, já ouví várias pessoas conhecedoras daquela região que, ao passarem de carro pela BR-101 no trecho que corta a Reserva de Sooretama, dizerem que aquela mata parece Rondônia! No último fim de semana estivemos na Reserva Natural da Vale e mais uma vez nos encantamos com a beleza da mata e seus habitantes! Sendo as aves nosso foco, escolhemos algumas, que ocorrem nas duas matas: Amazônia e Linhares para apreciação de nossos visitantes. Lembramos mais uma vez: essas matas são tesouros naturais que devem ser preservadas a todo custo! Abaixo, fotos de algumas espécies de aves que são encontradas em Linhares e que ocorrem principalmente na floresta Amazônica. 
 
CRI CRIÓ, Lipaugus vociferans. A mais tipica ave da amazônia, ainda presente em bom número nas matas de Linhares, em Sooretama e na Reserva Natural da Vale. Foi chamada por SICK como "a voz da Amazônia".

Chona cinza, Laniocera hypopyrra. Espécie incomum, que vive nas copas e muito especial.




O belíssimo Pica-pau de coleira, Celeus torquatus.




O Mãe-da-lua Gigante Nyctibius grandis.





O Tururim, Crypturellus soui.



O Arapaçu bico de cunha, Glyphorynchus spirurus.




E finalizando, o Chora chuva de cara branca, Monasa morphoeus,


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

AVES DOS ALAGADOS DO CONTORNO DE VITÓRIA.

A região dos alagados do contorno de Vitória, capital do Estado do Espirito Santo, Brasil, já foi  mencionada em alguns tópicos aqui neste blogue. Recentemente voltamos ao local, que pode ser visitado facilmente já que dista poucos quilômetros da capital. A região é muito bonita mas tem sido agredida por grandes empresas que se estabeleceram no contorno com benefícios fiscais. É interessante que esses benefícios deveriam ser aplicados para que houvesse um retorno para a sociedade capixaba. Se está havendo renuncia de impostos, qual a vantagem para a sociedade? e para quem essa vantagem é dada? A depredação do lugar por poucos empresários mostra quem está usufruindo vantagens não é a população.
 
 
Na imagem acima, pode-se ver  que a região está envolvida pelo aglomerado urbano de Vitória e sua região metropolitana. Pode ser notado também, que os alagados ocupam os baixios da região, ficando a maior parte do ano debaixo de água. Recentemente uma seca deixou o local quase sem recursos e as pequenas lagoas secaram, fazendo com que boa parte das aves se afastasse.
 
Em meio as  aves, fomos surpreendidos por essa boiada, sendo levada para forrageamento em uma das partes da região. Fica o registro, digno do pequeno pantanal de Vitória.

 
 
 
Nessas últimas visitas, pudemos encontrar uma boa quantidade de aves, que passaremos a mostrar agora:
 
O carretão, Agelasticus cyanopus
 

 
O Anu- coroca, Crothophaga major:
 


O Japacanim, Donacobius atricapilla:



O Gavião- sovi: Ictinia plúmbea:



O Maguari, Ciconia maguari:



O urubu de cabeça amarela, Cathartes burrovianus, jovem:


O tricolino, Pseudocolopteryx sclateri:
 

 
O Falcão quiri-quiri, Falco sparverius:
 


O falcão-de-coleira, Falco femoralis:



O Coleiro-do-brejo, Sporophila collaris:



O Gavião-carijó, Rupornis magnirostris:


Agradecemos a visita dos amigos, prometendo para breve mais relatos abrangendo a avifauna dessa rica região.

Jsl.